Minhas Experiências com Alunos Portadores de Necessidades Especiais.
Assim que ingressei na carreira do magistério tive um aluno autista. Observava que ele era uma criança totalmente isolada do restante da turma, vivia apenas em seu “mundinho”.
Sempre que possível conversava com a mãe do menino e relatava seu comportamento na escola em geral. A mãe do menino tratava esse tipo de comportamento como sendo apenas timidez da criança. Relatava que em casa o menino se comportava bem o oposto ao da escola, que ele falava como um “papagaio”, brincava e interagia normalmente com as outras crianças, com seus irmãos e pais.
A cada dia que passava o menino demonstrava sempre o mesmo comportamento, inclusive no recreio e durante a educação física, permanecia sentado em um banco. Conversava com ele, tentava propor brincadeiras e jogos, porém o menino não falava comigo, apenas sacudia a cabeça sinalizando que não iria participar de nenhuma atividade.
No ano seguinte com outra professora o aluno continua apresentando o mesmo comportamento. Então foi aí que a direção da escola resolveu se manifestar diante esta situação chamando sua mãe até a escola. Somente nesse momento que sua mãe sentindo-se pressionada resolveu falar a verdade, o mesmo comportamento de isolação que ele apresentava na escola era o mesmo em casa e em outros ambientes que ele frequentasse.
Logo então, a mãe resolveu procurar auxilio médico, onde foi diagnosticado que ele era autista.
O aluno permaneceu por mais alguns anos na escola, até conseguir vaga para frequentar a APAE.
Outro caso de aluno portador de necessidades especiais foi à aluna Bianca, que possuía uma doença chamada coréia.
A coréia é uma doença degenerativa que compromete todos os músculos, fazendo com que eles se atrofiem, atingindo a coordenação motora.
A aluna cursou comigo a 1º Série, seu raciocínio lógico era fantástico. Tive o privilégio de acompanhar todo o seu processo de alfabetização e seus avanços na trajetória dos níveis de alfabetização.
Ela também tinha a fala comprometida pela doença, mesmo assim adorava ler para os demais colegas as historinhas de sua autoria.
A caligrafia da menina era bem complicada de se entender, quem olhava o caderno dela não entendia nada.
Eu sempre proporcionava atividades diferenciadas a ela como jogos, massinha de modelar e outros materiais.
Quem cuidava da Bianca era sua avó, pois a mãe trabalhava muito e quase não tinha tempo de ficar em casa.
Muitas vezes a avó muito emocionada, me relatava que a menina estava muito contente, pois conseguia ler e contar histórias para ela e também à irmã caçula.
Apesar de suas limitações físicas brincava e interagia com todos os colegas da turma.
Atualmente ela frequenta as séries finais do ensino fundamental em outra escola do bairro, que também é regular, pois nossa escola só possui até a 4º Série.
No ano passado tive um aluno com paralisia cerebral, tinha treze anos de idade, frequentava a APAE e ia a escola regular diariamente.
Foi solicitado pela APAE e a equipe de médicos que tratavam do aluno, para que ele frequentasse a escola regular a nível de socialização.
As atividades propostas a eles eram diferenciadas, sempre dentro das suas limitações.
O aluno tem todo um comprometimento motor, na fala e sua idade mental equivale a uma criança de 4 anos.
Esse aluno adorava participar das brincadeiras de recreação, inclusive gostava de jogar futebol e pular corda.
Tinha um comportamento bem tranquilo, ele era meio o xodó da turma, todos adoravam participar do grupo em que ele estava.
Comments (1)
Simone Ramminger said
at 2:56 pm on May 12, 2009
Cristiane vejo que aproveitaste a semana de recuperação para colocar tuas atividades em dia. Parabéns!
Tenho lido os relatos nos dossiês de inclusão e tem me chamado a atenção que os professores observam os alunos, identificam algumas dificuldades, chamam a família (e em geral quem vem é a mãe ou a avó) e algumas negam as dificuldades dos filhos, se recusam a ajudar e procurar tratamento. Por que achas que isso acontece?
Lendo o teu texto, fiquei pensando como é importante que o professor seja sensível e flexível para perceber as dificuldades dos alunos e fazer as mudanças necessárias no planejamento das aulas, facilitando a aprendizagem. Além disso é necessário uma revisão de posturas e conceitos, bem como a previsão de atendimento educacional especializado para atender às necessidades dos alunos. Afinal incluir não é só receber esse aluno na sala junto com os demais, mas também fazer as adaptações necessárias para que esse aluno sinta-se integrado e aprenda.
Um abraço, Simone
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